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A Correspondente, de Virginia Evans

17 de ago.
3 min de leitura


Uma leitura que me fez rir, me emocionou profundamente e, principalmente, me fez pensar sobre a vida, as escolhas que fazemos e as histórias que carregamos.


A protagonista, Sybil van Antwerp, tem 73 anos e uma vida aparentemente comum. Aposentada, ela encontra nas cartas a melhor maneira de se conectar com o mundo e com as pessoas. E é justamente por meio delas que vamos conhecendo suas alegrias, seus medos, seus arrependimentos, suas perdas e suas relações familiares.


O formato em cartas foi, para mim, um dos grandes encantos do livro. Existe algo muito íntimo em acompanhar alguém através das palavras que escolhe escrever. Aos poucos, as cartas transformam Sybil de uma personagem em uma espécie de conhecida. Em determinados momentos, tive a sensação de estar sentada ao lado dela, ouvindo suas histórias, suas reclamações e suas reflexões, como uma amiga ou confidente.


E que personagem deliciosa é Sybil! Ranzinza, teimosa, irônica, destemida e dona de uma personalidade muito própria, ela me fez rir diversas vezes. Mas sua personalidade forte não esconde suas fragilidades. Sybil é confusa, sensível, carrega culpas, traumas e arrependimentos e, muitas vezes, não sabe muito bem como lidar com aquilo que sente. Talvez tenha sido justamente essa humanidade que mais me conquistou.


Ao longo da leitura, somos convidados a pensar sobre família, maternidade, envelhecimento, luto, culpa, perdão, arrependimento, amor, escolhas e recomeços. Existe um drama familiar importante, mas também existe muita delicadeza nas pequenas conexões que Sybil estabelece. Algumas são inesperadas e bonitas, mostrando como encontros aparentemente banais podem deixar marcas profundas em nossas vidas.


Gostei especialmente da maneira como o livro fala sobre o passado. Há coisas que gostaríamos de mudar, decisões que talvez tomaríamos de outra maneira e pessoas que nos machucaram, assim como também podemos ter machucado alguém. Mas o tempo não volta. E talvez uma das mensagens mais bonitas da história seja justamente a possibilidade de olhar para aquilo que vivemos com um pouco mais de gentileza.


A Correspondente me fez pensar que envelhecer não significa ter todas as respostas. Continuamos aprendendo, errando, amando, perdendo, tentando compreender os outros e, principalmente, tentando compreender a nós mesmos.


Também adorei as referências literárias espalhadas pela narrativa. As dicas de livros dadas por Sybil foram um presente à parte. Afinal, poucas coisas são tão gostosas quanto encontrar, dentro de uma história, outras histórias esperando para serem descobertas. A minha lista cresceu e muito!


Ri com Sybil, torci por ela, me surpreendi, fiquei com o coração apertado em alguns momentos e me emocionei profundamente em outros. É um daqueles livros que conseguem ser fofos e dolorosos ao mesmo tempo, deixando o coração quentinho, mas também apertadinho.


No fim, fiquei com a sensação de que o livro fala, sobretudo, sobre ressignificar a própria história. Sobre compreender que não fomos feitos sabendo exatamente o que fazer. Que algumas coisas vão dar errado. Que algumas pessoas vão nos ferir e que nós também podemos ferir outras. E que existem acontecimentos que jamais poderão ser modificados, mas podem, talvez, ser compreendidos de outra maneira.


Talvez seja justamente essa simplicidade que torne A Correspondente tão bonito. Não é preciso ter uma vida grandiosa para ter uma história que mereça ser contada. Uma vida feita de pequenos amores, perdas, encontros, erros, arrependimentos, conquistas e tentativas de recomeçar já pode ser extraordinária.


E termino com uma frase do próprio livro que resume muito do que senti durante a leitura:

“Lembre-se: as palavras, principalmente quando escritas, são imortais.”


Uma leitura sensível, divertida, afetiva e profundamente humana. Daquelas que terminamos com vontade de continuar conversando com os personagens e com a sensação de que, durante algumas horas, fizemos parte da vida de alguém.


Os trechos de estrada tomados pela ventania são muito mais comuns que as paradas confortáveis, e não estamos sempre tentando voltar a uma época feliz ? p. 42

Um dos melhores livros que li em 2026. Recomendadíssimo. 💛 ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️



Leia e veja o que acha 🥰

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