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Auto da Compadecida, Ariano Suassuna
Uma leitura rápida, divertida e muito mais inteligente do que parece à primeira vista. Escrito em 1955 pelo paraibano Ariano Suassuna, Auto da Compadecida consegue um equilíbrio delicioso entre a tradição popular e a elaboração literária. Em três atos, o autor recria histórias presentes na tradição do cordel e constrói uma peça profundamente marcada pela cultura nordestina, pela religiosidade, pelos tipos populares e pelo humor. E foi justamente isso que mais me surpreendeu:
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Cristina Oliveira
2 de out.


Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Por meio das vozes de Bibiana e Belonísia, é construída uma narrativa profundamente humana sobre um Brasil que ainda carrega as marcas de seu passado escravagista. Ambientada no sertão baiano, a história acompanha duas irmãs e uma comunidade. A terra onde trabalham não lhes pertence, e suas vidas permanecem submetidas a relações de exploração que parecem atravessar o tempo. Itamar dá voz aos silenciados. Essa ideia aparece de maneira poderosa já nas primeiras páginas, em um a
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Cristina Oliveira
26 de set.


Ainda estou aqui ,Marcelo Rubens Paiva
Há dores que não terminam quando a tragédia acaba. Algumas delas transformam uma vida inteira em luta. Em Ainda Estou Aqui, Marcelo Rubens Paiva não conta apenas a história do desaparecimento e assassinato de seu pai, Rubens Paiva, durante a Ditadura Militar brasileira. Ele conta a história de uma família que precisou aprender a continuar vivendo depois de ser brutalmente atravessada pela violência do Estado. E, no centro dessa história, está Eunice Paiva. Uma mulher de muita
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Cristina Oliveira
19 de set.


Quando, Carla Madeira
É uma leitura que deixa um nó na garganta ... Primeiro livro que leio da autora, e já entendi por que sua escrita desperta tantos sentimentos. Carla Madeira escreve de forma poética, mas não suaviza a vida. Pelo contrário: sua narrativa é crua, íntima e corajosa. Ela escancara a imperfeição humana e coloca diante de nós personagens que erram, amam, traem, machucam e carregam consequências que nem sempre o tempo é capaz de apagar. Viridiana é mãe de Margarida, Valquíria e Tito
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Cristina Oliveira
9 de set.


O Bem-Amado, de Dias Gomes
Que peça fantástica! Sabe aquela leitura que diverte, faz rir e, quando você percebe, está refletindo? Foi exatamente assim com O Bem-Amado. Escrita originalmente em 1962, a peça de Dias Gomes nos leva para Sucupira, uma pequena cidade do litoral baiano, onde o influente Odorico Paraguaçu decide transformar a construção de um cemitério em sua grande plataforma política. Afinal, não é todo dia que um político encontra uma obra pública tão... conveniente para sua carreira. O pr
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Cristina Oliveira
3 de set.


Vidas Secas, de Graciliano Ramos
Quando sobreviver já é uma forma de resistência É uma releitura angustiante, não necessariamente pela complexidade da narrativa, mas pelo tamanho do sofrimento que encontramos em suas páginas. É um livro sobre a luta pela sobrevivência, e sobre o quanto, para algumas pessoas, viver parece ser apenas uma versão mais difícil de sobreviver. Publicado em 1938, o romance acompanha uma família de retirantes sertanejos formada por Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Ba
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Cristina Oliveira
1 de set.


Os Imortais, de Paulliny Tort
Entre a origem da linguagem e a permanência dos afetos. Os Imortais, de Paulliny Tort, é uma experiência literária singular. Ambientado no período paleolítico, o romance acompanha a trajetória de um clã de neandertais em sua luta constante pela sobrevivência. Cercados pela fome, pelas doenças, pelas intempéries e pelos perigos de um mundo hostil, uma travessia sem destino aparente, guiados pela necessidade de continuar existindo. Após um conflito com outro agrupamento, uma cr
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Cristina Oliveira
30 de jul.


O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos
Existem livros que atravessam gerações porque contam grandes histórias. E existem aqueles que permanecem vivos porque conseguem tocar algo muito íntimo em quem os lê. O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, pertence ao segundo grupo. Considerado um clássico da literatura brasileira, é uma obra delicada, emocionante e profundamente humana, que continua atual mesmo décadas após sua publicação. Acompanhamos Zezé, um menino de apenas cinco anos que vive em uma fam
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Cristina Oliveira
27 de jul.


Só Sei Que Foi Assim – Octávio Santiago
Uma leitura fluida e acessível, a obra nos conduz por uma investigação histórica que revela como foi construída a imagem do Nordeste no imaginário brasileiro e por que tantos estereótipos ainda permanecem vivos até hoje. Ao longo do livro, o autor parte de perguntas aparentemente simples, mas profundamente necessárias: como nasce um preconceito? Em que momento o Nordeste passou a ser associado ao atraso, à pobreza e à ignorância? E quem se beneficiou da consolidação dessa nar
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Cristina Oliveira
20 de jul.


O Sítio, Marcus Barcelos
O que acontece quando um dos maiores símbolos da infância brasileira deixa de ser um lugar de fantasia e passa a abrigar nossos piores pesadelos? Em O Sítio, Marcus Barcelos transforma o universo do Sítio do Picapau Amarelo em um cenário inquietante, onde nostalgia, medo e memória caminham lado a lado. A história acompanha um homem que, na tentativa de salvar o que restou de sua família, precisa retornar ao lugar onde tudo começou, e onde tudo também se rompeu. O antigo refúg
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Cristina Oliveira
9 de jul.


Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves
Ler Um Defeito de Cor é atravessar uma experiência literária que vai muito além da ficção: é encarar de frente a formação do Brasil e suas feridas mais profundas. O livro se impõe como uma verdadeira aula histórica e emocional sobre a escravidão e seus desdobramentos, costurando memória, dor e identidade com uma força rara na literatura brasileira contemporânea. Acompanhamos Kehinde, nascida no início do século XIX em Savalu (atual Benin), cuja infância é interrompida por tra
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Cristina Oliveira
9 de jun.


O vazio, Carlos H. Kruschewsky
O Vazio é daqueles livros curtos que carregam um peso emocional imenso. Uma leitura que mergulha nas dores humanas. O autor constrói uma narrativa melancólica e intimista, capaz de tocar justamente por sua honestidade brutal diante do sofrimento, da solidão e da tentativa de reconstrução interior. Ao acompanhar a trajetória do protagonista, somos conduzidos para dentro de um espaço psicológico sufocante. A mente humana é transformada em cenário, fazendo da angústia um lugar
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Cristina Oliveira
18 de mai.


Um jeito de recomeçar, Filipe Salomão
A narrativa é fluida, rápida, quase silenciosa na forma como se desenrola, mas profundamente barulhenta por dentro. É um texto intimista, e é justamente aí que mora o incômodo. Porque, quando você percebe, já está completamente imersa na mente de Carol, tentando entender, ou talvez suportar, aquilo que ela se tornou após a morte de seus pais. Carol é uma protagonista que provoca irritação, desconforto, até uma certa repulsa. Há momentos em que sua crueldade parece calculada,
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Cristina Oliveira
1 de mai.


Insolitudes - Tiago Feijó
A leitura de Insolitudes , de Tiago Feijó, é daquelas experiências que se constroem no detalhe, e que, quando a gente percebe, já deixaram marcas. Trata-se de uma coletânea de pequenos contos, em que o cotidiano é atravessado por acontecimentos incomuns, às vezes discretos, às vezes profundamente perturbadores. São situações curiosas ou até extravagantes que rompem a normalidade e revelam algo essencial sobre quem as vive. O livro, embora breve, é dividido em duas partes: uma
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Cristina Oliveira
20 de abr.


Ninguém Ouve o Sangue-Elizandro Todeschini
Agradecimento: Recebi este exemplar gentilmente enviado pelo autor, Elizandro Todeschini. Muito obrigada foi uma experiência literária intensa e enriquecedora! Ninguém Ouve o Sangue é um romance curto, mas potente em reflexões. Daqueles livros que se leem rápido, capítulos breves e narrativa ágil. Ambientado em meio à ditadura militar no Brasil, o enredo constrói uma trama histórica marcada por tensão e cenas fortes, que envolvem o leitor numa espécie de adrenalina silenc
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Cristina Oliveira
3 de mar.


Verão no Aquário, de Lygia Fagundes Telles
02/12 clube bookster pelo mundo 2026 Verão no Aquário foi uma leitura desafiadora para mim. A protagonista, Raíza, vive seu verão dentro de uma bolha, lidando com uma relação complexa com a mãe, entre conflitos, ciúmes e momentos de afeto. A narrativa é introspectiva e detalhista, mostrando personagens únicos e relações transfiguradas, mas confesso que o ritmo inicial me cansou. Raíza é inconstante, mesquinha e carinhosa, irônica e vulnerável, como os seres humanos de verdad
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Cristina Oliveira
20 de fev.


A Pele em Flor
A Pele em Flor, Vinícius Neves Mariano A Pele em Flor é um livro que incomoda. Por meio de contos curtos expõe situações atravessadas pela cor da pele, mostrando como pequenos gestos, olhares e decisões mudam completamente dependendo de quem ocupa aquele corpo. São histórias que escancaram uma verdade dura: muitas dessas violências cotidianas simplesmente não aconteceriam se a pele fosse mais clara. A leitura provoca revolta e aperto. Não há exageros nem dramatizações gratui
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Cristina Oliveira
12 de jan.


Olhai os lírios do campo
Olhai os lírios do campo , de Érico Veríssimo, foi uma leitura surpreendente e profundamente emocionante. A escrita é fluida, mas carrega uma densidade emocional intensa, capaz de nos colocar quase dentro da mente do personagem principal. Acompanhar Eugênio é vivenciar suas dúvidas, suas incertezas e, sobretudo, o conflito constante entre ambição e valores morais. Quando jovem, sua ambição chega a soar egoísta, especialmente na forma como se relaciona com os pais, e isso torn
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Cristina Oliveira
2 de jan.


Melhores Nacionais 2025
Melhores livros nacionais do ano | 2025 Como falei noutra postagem esse ano foi especial... mais de 80% do que li foram excepcionais! Por isso separei em algumas categorias.. hoje trago os melhores nacionais que li! Não estão em ordem de preferência, porque cada um me marcou de um jeito único. Meus melhores nacionais do ano: • Velhos Demais para Morrer — Vinícius Neves Mariano • O Arroz de Palma — Francisco Azevedo • O Peso do Pássaro Morto — Aline Bei • O Homem de Palha
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Cristina Oliveira
15 de dez. de 2025
![[Dica de leitura] 15 histórias curtas](https://static.wixstatic.com/media/34596e_3619a6d4c3694dff83e52447481dfb49~mv2.jpeg/v1/fill/w_188,h_250,fp_0.50_0.50,q_30,blur_30,enc_avif,quality_auto/34596e_3619a6d4c3694dff83e52447481dfb49~mv2.webp)
![[Dica de leitura] 15 histórias curtas](https://static.wixstatic.com/media/34596e_3619a6d4c3694dff83e52447481dfb49~mv2.jpeg/v1/fill/w_454,h_605,fp_0.50_0.50,q_90,enc_avif,quality_auto/34596e_3619a6d4c3694dff83e52447481dfb49~mv2.webp)
[Dica de leitura] 15 histórias curtas
15 histórias curtas - Rodrigo Neto Minha opinião Rodrigo Neto entrega, em 15 histórias curtas , uma coletânea de contos que impressiona pela capacidade de transformar o cotidiano em espelho: daqueles que a gente prefere não encarar, mas que é impossível desviar o olhar. São textos breves, diretos, e justamente por isso tão potentes. Em poucas linhas, o autor nos conduz a realidades duras, marcadas por desigualdade, solidão, violência e ironia: e faz isso com uma escrita simpl
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Cristina Oliveira
13 de nov. de 2025
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