Eu que nunca conheci os homens, Jacqueline Harpman
- há 1 dia
- 2 min de leitura

É uma leitura que não te acolhe, ela te atravessa. E faz isso com uma delicadeza quase cruel.
A narrativa acompanha uma protagonista profundamente solitária desde o início: uma menina que cresce em confinamento, ao lado de outras 39 mulheres, vigiadas por guardas, sem passado, sem referências, sem mundo. E quando, de forma abrupta, os portões se abrem e os guardas desaparecem, o que poderia soar como libertação se transforma em algo ainda mais inquietante :a liberdade despida de sentido.
Existe uma angústia constante, quase silenciosa, que acompanha cada página. A sensação de que algo essencial está faltando, e sempre estará. E talvez seja justamente isso que mais incomoda: a ausência de respostas. Para quem precisa de fechamento, de explicações, de um “porquê” que organize o caos… esse livro pode ser frustrante.
Ao longo da leitura, surgem reflexões profundas sobre liberdade, sobre o que significa ser humano e sobre o quanto somos moldados pelo ambiente em que vivemos. O livro provoca um desconforto quase existencial: será que somos realmente livres ou apenas adaptados ao que nos cerca? Quem nos tornaríamos se tudo fosse retirado de nós, história, cultura, relações?
A protagonista, que espera por respostas que nunca chegam, sequer sabe definir o que seria felicidade ou liberdade. E isso é devastador. Porque revela o quanto esses conceitos, que parecem tão naturais para nós, são na verdade construções frágeis, dependentes de contexto, de troca, de pertencimento.
É um livro angustiante, profundamente humano e, em muitos momentos, desolador. Mas também é um convite poderoso à reflexão: sobre pertencimento, identidade, comunidade e propósito. Sobre o que, afinal, nos torna humanos.
Esse livro tem esse efeito curioso: ele não entrega respostas, mas entrega experiência. É uma experiência bem solitária, quase íntima mesmo. Parece que a gente fica junto com a protagonista naquele vazio, tentando entender algo que talvez nem tenha explicação.
⭐⭐⭐⭐
Leitura coletiva com @curtaleitura
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