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Torto Arado, de Itamar Vieira Junior

há 10 minutos
2 min de leitura

Por meio das vozes de Bibiana e Belonísia, é construída uma narrativa profundamente humana sobre um Brasil que ainda carrega as marcas de seu passado escravagista. Ambientada no sertão baiano, a história acompanha duas irmãs e uma comunidade. A terra onde trabalham não lhes pertence, e suas vidas permanecem submetidas a relações de exploração que parecem atravessar o tempo.


Itamar dá voz aos silenciados.

Essa ideia aparece de maneira poderosa já nas primeiras páginas, em um acidente com as irmãs que não só marca a narrativa, mas é símbolo de uma vida marcada pelo silêncio.


No começo, confesso que fiquei um pouco perdida/curiosa com a narração. Durante algum tempo a pergunta que permanece é: qual das duas irmãs está narrando? 


Ao redor de Bibiana e Belonísia, outras vidas vão surgindo e se entrelaçando. São histórias de pessoas atravessadas pela pobreza, pela violência, pelo racismo, pela exploração e pela ausência de escolhas. A desigualdade deixa de ser uma ideia abstrata e passa a ter rosto, nome e história.


A terra ocupa um lugar central nessa narrativa. Ela é sustento, pertencimento e motivo de luta.


Outro aspecto que me marcou foi a presença da ancestralidade e do jarê, religião de matriz africana profundamente ligada à comunidade. A espiritualidade aparece também como uma forma de resistência e de preservação da memória.


A leitura é fluida, mas o conteúdo é tão denso que li quase ruminando aquele sofrimento. É preciso parar diante de determinadas cenas, deixar alguns cenários permanecerem...


O livro é devastador do começo ao fim, mas não é uma narrativa construída apenas sobre a dor. Há também esperança, fé, ancestralidade e resistência. Porém, mesmo diante de tantas formas de violência, existe uma força que insiste em permanecer, pois, acima de tudo, é sobre pessoas que lutam para ter voz, dignidade e reconhecimento.


Uma leitura extremamente impactante e reflexiva sobre as consequencias do passado escravagista, sobre a exploração, a luta por moradia, por educação e por um trabalho digno. Uma narrativa que transforma histórias individuais em algo muito maior.


E, depois de tudo isso, é claro que fiquei querendo mais.

Já estou curiosa para ler os outros dois livros da Trilogia da Terra.


⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️❣️️



Leia e veja o que você acha🥰

@todavialivros

@itamarvieirajr



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