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A Vegetariana — Han Kang

  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Existe um tipo de livro que não se lê… se atravessa. A vegetariana é exatamente assim.


Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2024, Han Kang constrói aqui um romance perturbador, simbólico e profundamente humano, daqueles que incomodam, provocam e não deixam a gente sair igual.


A história começa com um gesto simples: Yeonghye decide parar de comer carne. Mas esse ato silencioso vira o estopim de uma ruptura muito maior , com o corpo, com a família, com o mundo e, principalmente, com o que se espera dela como mulher.


O livro é dividido em três partes, cada uma narrada por uma voz diferente. E essa escolha muda completamente a forma como a gente enxerga a protagonista.


Na primeira parte, há estranhamento e tentativa de compreensão. Na segunda, confesso que tive um distanciamento, o excesso de teor sexual me pareceu, em vários momentos, desnecessário para a intensidade que a história já carregava.

Mas então vem a terceira parte…E tudo desaba.


Ali, o livro atinge um nível de sensibilidade quase insuportável. É como se a fragilidade humana fosse observada sob um microscópio, crua, exposta, silenciosa. Foi dilacerante. Daquele tipo que não faz barulho, mas fica ecoando dentro da gente.


E o final…é aberto, reflexivo e profundamente inquietante. Fica a sensação de um desfecho silencioso, quase de apagamento...


É impossível não refletir sobre escolhas, sobre os limites do ser humano e sobre o quanto somos moldados, muitas vezes sem perceber, pelo olhar do outro.


É uma leitura intensa, desconfortável em muitos momentos, mas profundamente envolvente. Um livro que provoca, incomoda e permanece.

Não é leve. É cru. Reflexivo. Inesquecível.


⭐⭐⭐⭐


Obrigada pela sugestão de leitura xará-amiga literária @cris.genu


Leia e veja o que você acha! 🥰



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