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Cachorro Velho , Teresa Cárdenas

há 13 minutos
2 min de leitura

Há livros que emocionam. Há livros que revoltam. E há aqueles que simplesmente machucam. Cachorro Velho, de Teresa Cárdenas, é desses.


Narrado em primeira pessoa, o livro nos coloca dentro da memória de um homem que passou toda a vida escravizado em um engenho de açúcar. Já velho, cansado e com as lembranças se misturando ao presente, Cachorro Velho revisita uma existência marcada pela violência, pela dor e, sobretudo, pela completa negação de sua humanidade.


Talvez uma das coisas mais dolorosas da leitura seja perceber como ele próprio se refere a si e aos outros escravizados como pertences, objetos, coisas que pertencem ao patrão. Não há apenas a violência física: existe a violência de ter sua identidade, sua liberdade e seu próprio corpo transformados em propriedade de outra pessoa. E é justamente essa naturalização do desumano que torna algumas passagens tão difíceis de ler.


As lembranças de Cachorro Velho revelam episódios de uma crueldade tão brutal que, em alguns momentos, a leitura chega a embrulhar o estômago. É impossível não sentir revolta diante da capacidade humana de transformar outro ser humano em objeto e, ao mesmo tempo, tratar essa violência como algo cotidiano.


E talvez seja isso que torne o livro tão devastador: não é uma história extraordinária de sofrimento. É o retrato de uma realidade que existiu e que foi vivida por milhares de pessoas.


Apesar da dureza do tema, a narrativa é extremamente fluida. O livro é curto, direto e pode ser lido rapidamente, mas está longe de ser uma leitura que passa rápido por dentro da gente. É uma daquelas histórias que terminamos em pouco tempo, mas que continuam conosco depois..


Cachorro Velho é triste. É cru. É pesado. É revoltante.


Um livro que nos obriga a olhar para uma das páginas mais perversas da nossa história sem romantização e sem distância. Porque algumas histórias não foram feitas para nos confortar.

Foram feitas para nos lembrar do que o ser humano é capaz de fazer, e do que jamais deveria voltar a ser.


⚠️ Gatilhos: violência



“o velho não temia o Inferno: tinha vivido nele desde sempre” p.15



⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️



Leia e veja o que você acha🥰


Leitura do clube @curtaleitura


 
 
 

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