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O Bem-Amado, de Dias Gomes

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Que peça fantástica! Sabe aquela leitura que diverte, faz rir e, quando você percebe, está refletindo? Foi exatamente assim com O Bem-Amado.


Escrita originalmente em 1962, a peça de Dias Gomes nos leva para Sucupira, uma pequena cidade do litoral baiano, onde o influente Odorico Paraguaçu decide transformar a construção de um cemitério em sua grande plataforma política. Afinal, não é todo dia que um político encontra uma obra pública tão... conveniente para sua carreira.

O problema é que, depois de eleito, Odorico precisa inaugurar o cemitério. E, para isso, precisa de um morto!!!


A partir desse absurdo, Dias Gomes constrói uma sátira deliciosa e extremamente inteligente. Odorico é daqueles personagens que fazem a gente rir enquanto, ao mesmo tempo, despertam uma preocupação. Seu ego inflado, seus discursos intermináveis, seus neologismos hilários, sua demagogia e sua necessidade de transformar tudo em espetáculo político são simplesmente impagáveis.


Eu amei os personagens, amei a história, amei o conflito e, principalmente, os diálogos. Ri muito durante a leitura. Mas, o mais interessante é perceber que, por trás de todo esse humor, existe uma crítica política afiadíssima.

Dias Gomes faz do riso uma ferramenta de denúncia.


A obra foi escrita há mais de sessenta anos, mas parece ter sido cuidadosamente colocada numa gaveta para ser aberta justamente em períodos eleitorais.

E aqui preciso dizer: a UERJ acertou em cheio ao trazer essa obra para a discussão em um ano de eleição. Jogada de mestre!


E a grande genialidade de Dias Gomes: ele não precisa nos dar um discurso político. Ele nos faz rir. E, enquanto rimos, percebemos que talvez não haja tanta distância entre Sucupira e a realidade.


Gostei demais dessa leitura. Foi rápida, divertida e daquelas que deixam vontade de continuar um pouco mais. Quando terminei, fiquei com aquela sensação de: “já acabou?”


O Bem-Amado me lembrou por que o humor pode ser uma das formas mais poderosas de crítica social. Porque, às vezes, é justamente quando estamos rindo que percebemos o quanto determinada realidade é absurda.


Uma leitura que me fez rir muito e pensar ainda mais. Recomendo!


⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


Leia e veja o que você acha🥰 editora Bertrand Brasil


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