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Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski

há 3 horas
2 min de leitura

Bom, para começo de conversa: Crime e Castigo foi um desafio para mim.


Foram praticamente três meses de leitura lenta, entre momentos em que fiquei completamente presa à história e outros em que tive a sensação de que ela simplesmente não avançava.


Dostoiévski nos apresenta Raskólnikov, um jovem que acredita ser extraordinário o suficiente para estar acima das leis. Ele comete um assassinato para provar sua teoria, mas descobre que é impossível escapar das consequências psicológicas e morais de seus próprios atos.


Raskólnikov tenta desumanizar suas vítimas para aliviar o peso da consciência, mas quanto mais tenta racionalizar o crime, mais se afunda na culpa, no isolamento e no conflito consigo mesmo. (passei a maior parte do tempo com ranço dele, acho que isso influenciou a leitura)


Crime e Castigo também é uma reflexão sobre pobreza, sofrimento, orgulho, moralidade e isolamento. Dostoiévski mostra como circunstâncias extremas podem levar alguém a ultrapassar limites que talvez jamais imaginasse transpor. Ao mesmo tempo, não transforma essas circunstâncias em uma justificativa simples para o crime.


E isso me fez pensar em uma questão incômoda: até que ponto podemos julgar uma pessoa apenas pelo erro que cometeu, sem considerar tudo aquilo que a levou até aquele momento? Compreender as circunstâncias, porém, não significa necessariamente justificar as escolhas. E o livro permanece justamente nesse território desconfortável entre culpa, responsabilidade e redenção.


Aqui não existem apenas vilões e mocinhos. Existem seres humanos: contraditórios, falhos, capazes de crueldade, bondade, egoísmo e sacrifício.


A primeira parte e a última foram as que mais me prenderam. No restante, confesso: achei arrastado e revoltante (olha o ranço novamente).


E os inúmeros nomes, sobrenomes, apelidos também não ajudaram na imersão.

Ainda assim, é impossível sair dessa história sem pensar sobre culpa, pobreza, orgulho, moralidade e redenção.


Acompanhar Raskólnikov foi uma experiência literária muito poderosa. Um personagem que acredita estar acima das leis acaba descobrindo que não é tão fácil estar acima da própria consciência.


Porque Crime e Castigo não é apenas sobre o crime.

É sobre o que acontece depois dele.

Sobre descobrir que talvez seja possível fugir da justiça dos homens, mas não tão facilmente da própria consciência.


Não foi uma leitura fácil. Não foi uma leitura rápida.

Mas foi, certamente, uma experiência marcante.


"“Eu matei a mim mesmo e não a velhota! Ali, eu massacrei a mim mesmo, de uma vez só e para sempre!…"

⭐️⭐️⭐️⭐️



Leia e veja o que você acha🥰

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