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Filha da Fortuna, de Isabel Allende

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura



Em Filha da Fortuna, Isabel Allende nos apresenta Eliza Sommers, uma jovem que nasce em meio ao abandono e cresce cercada por convenções sociais, segredos e expectativas impostas pela sociedade do século XIX.


A história ganha novos caminhos quando Eliza se apaixona por Joaquín Andieta, um jovem empregado da família Sommers. Com a descoberta de ouro na Califórnia, em 1849, Joaquín parte em busca da fortuna prometendo retornar para se casar com ela. Mas Eliza não é uma mulher disposta a esperar passivamente pelo destino.


O que começa como uma busca por amor rapidamente se transforma em uma profunda viagem de autoconhecimento. Durante sua trajetória, Eliza encontra Tao Chi'en, um médico chinês que se torna uma figura essencial em sua caminhada. Através desses dois personagens, Allende constrói uma narrativa sobre encontros, perdas, sobrevivência e as diferentes formas de amor que podem surgir ao longo da vida.


Um dos grandes encantos do romance é perceber que a história de Eliza nunca está isolada. Acompanhando seus passos, conhecemos diferentes culturas, povos e realidades: a imigração chinesa, a vida dos povos indígenas, as desigualdades sociais, a exploração das mulheres e as duras condições enfrentadas por aqueles que buscavam uma nova vida no oeste norte-americano. A autora transforma a corrida do ouro da Califórnia em muito mais do que um cenário histórico; ela a utiliza como uma lente para revelar a ganância, a violência e também a esperança daqueles que sonhavam com um recomeço.


A febre pelo enriquecimento rápido revela as contradições humanas: pessoas capazes de abandonar tudo em nome de uma promessa de riqueza, enquanto outras são submetidas à exploração, ao preconceito e à crueldade.


Isabel Allende mais uma vez demonstra sua habilidade de misturar história e emoção.


Uma das coisas que mais me encantou foi justamente a união entre o íntimo e o coletivo. Enquanto acompanhamos a vida de Eliza, também testemunhamos um mundo em transformação.


E que final foi esse? Um encerramento que deixa perguntas, inquietações e uma enorme vontade de continuar essa história em Retrato em Sépia. Porque, ao terminar Filha da Fortuna, a sensação é de que ainda existem memórias, respostas e novos caminhos esperando para serem descobertos.


Um romance grandioso, humano e inesquecível. Uma história sobre coragem, pertencimento e a eterna busca por encontrar um lugar no mundo.


⭐⭐⭐⭐



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