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“Leia e veja o que você acha.”

  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura


Essa frase (“Leia e veja o que você acha”), tão simples, carrega uma verdade enorme sobre a experiência da leitura.

Sempre a adiciono no final das minhas resenhas para enfatizar e incentivar a pessoa a ler e tirar suas próprias conclusões e experiências.


Um livro nunca chega vazio até o leitor, ele encontra alguém com história, memória, feridas, afetos, referências culturais e vivências únicas. Por isso, nenhuma leitura é universal. O impacto de uma obra não está apenas no texto, mas no encontro entre aquele texto e quem o lê.


Algo que tem me incomodado ultimamente é ver, em alguns lugares, críticas altamente negativas: “não leia esse autor, é péssimo!”, ou comentários do tipo: “como deu tal nota?”.

Como alguém pode validar a bagagem emocional, cultural e intelectual de outro leitor? Como se apenas o próprio ponto de vista fosse válido? Somos seres únicos, multifacetados, com interesses variados, gostos infinitos… totalmente subjetivos. Como é possível gerar uma crítica que pretende ser absoluta, quando a leitura é, por definição, pessoal?


Ler é um ato subjetivo. Dois leitores podem atravessar as mesmas páginas e sair com impressões completamente distintas, e ambas são válidas. O que foi entediante para um pode ser transformador para outro. O que causou incômodo, rejeição ou tédio em alguém pode tocar profundamente outra pessoa, exatamente por dialogar com sua bagagem única.


Por isso, a crítica literária deveria abrir caminhos, não fechá-los. Indicações existem para provocar curiosidade, não para impor verdades. Dizer “não leia” é limitar uma experiência que pertence exclusivamente a quem lê. A intenção deveria ser incentivar a leitura, expandir horizontes, não frear o encontro com a literatura.


Leia… e veja o que você acha.

Afinal, o que é bom para um leitor pode não ser para outro, e está tudo bem.

É justamente essa diversidade de olhares que mantém a literatura viva.



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