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O Círculo dos Dias — Ken Follett

há 11 minutos
2 min de leitura

Minha primeira leitura de Ken Follett!

Em O Círculo dos Dias, o autor constrói uma ficção histórica que mistura personagens cativantes, romance, disputas de poder, religião, violência e, principalmente, a luta pela sobrevivência.


A história começa com Seft, um talentoso minerador que percorre a Grande Planície para participar dos rituais do solstício, comercializar pedras e reencontrar Neen, a garota que ama.


Follett apresenta uma sociedade dividida entre lavradores, gadeiros, artesãos, sacerdotisas e o povo da mata, mostrando como esses povos sobreviviam por meio de trocas. Os ciclos da natureza organizavam a vida e os deuses ligados à natureza ocupavam um lugar central em suas crenças.

É fascinante descobrir como essas comunidades pensavam, no que acreditavam, como se relacionavam e, sobretudo, pelo que estavam dispostas a lutar.


A riqueza de detalhes é tamanha que, em vários momentos, temos a sensação de estar diante de um relato histórico, e não de uma reconstrução ficcional.


A narrativa é construída a partir de diferentes pontos de vista e, aos poucos, os destinos vão se cruzando. Entre relações de amor, violência, alianças, traições e disputas pelo poder, acompanhamos uma sociedade que começa a perder a inocência à medida que a escassez de recursos aumenta.


Por trás dessa grande aventura histórica, existem temas bastante atuais: desigualdade de gênero, violência doméstica, machismo e estruturas patriarcais que determinam o lugar das mulheres.


Também estão presentes as disputas políticas e religiosas e a tentativa de diferentes grupos de impor seu poder. E talvez esteja aí uma das grandes forças do livro: mostrar como o medo, a fome, a intolerância e a disputa por poder podem dividir uma sociedade, mas também como um objetivo comum pode ser capaz de aproximar pessoas.


Stonehenge, então, deixa de ser apenas um monumento.

Torna-se símbolo de união.


A ideia de construí-lo percorre a narrativa desde o início. E aqui está minha principal ressalva: embora o desfecho seja coerente com tudo o que foi construído ao longo da história, senti que a concretização desse grande projeto acontece de maneira um pouco abrupta. Depois de acompanhar tantos conflitos e dedicar tantas páginas à idealização do monumento, esperava encontrar um encerramento mais desenvolvido. Por isso, o final não foi tão satisfatório para mim.


Ainda assim, O Círculo dos Dias foi uma leitura imersiva e prazerosa. Ken Follett consegue transformar um dos maiores mistérios arqueológicos da humanidade em uma história sobre pessoas: suas crenças, medos, desejos, perdas, ambições e esperanças.


No fim, mais do que explicar como Stonehenge poderia ter sido construído, o livro parece perguntar o que somos capazes de construir quando deixamos de lutar uns contra os outros e passamos a perseguir um propósito em comum.


E se você gosta de romances históricos com mulheres fortes, disputas de poder, religião, guerras e uma boa dose de mistério histórico, leia!


⭐️⭐️⭐️⭐️


Leia e veja o que você acha 🥰


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