Ela Seria o Rei, de Wayétu Moore
- há 1 dia
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Há livros que nos apresentam um povo, uma cultura e uma forma completamente diferente de enxergar o mundo. E esse faz exatamente isso.
Foi uma leitura que me marcou tanto pela riqueza de sua construção quanto pelas reflexões que despertou. Acompanhamos as trajetórias de Gbessa, June Dey e Norman Aragon, três personagens unidos por dons, ou maldições, que os tornam diferentes de todos ao seu redor. Cada um carrega uma história atravessada pela dor, pela exclusão, pela violência e pela resistência, mas também por uma força impressionante.
Um dos aspectos que me encantou foi a forma como a autora mistura ficção histórica, mitologia e realismo animista. Eu não sabia nada sobre esse período histórico da África e sobre a própria Libéria, e o livro conseguiu despertar minha curiosidade ao mesmo tempo em que me envolvia emocionalmente com seus personagens.
Além disso, foi meu primeiro contato com o chamado realismo animista africano. Diferentemente do realismo mágico, aqui não existe uma separação rígida entre o mundo dos vivos, dos mortos e dos espíritos. O invisível convive naturalmente com o visível.
No início, confesso que fiquei um pouco confusa com a narrativa e com a perspectiva adotada, que por vezes parece observar os personagens de fora. Foi necessário um período de adaptação. No entanto, depois que me acostumei, a experiência se transformou completamente. Passei a me sentir dentro da história.
Enfim, é um enredo sobre pertencimento, identidade, ancestralidade e resistência. Uma obra capaz de nos transportar para outra cultura e, ao mesmo tempo, nos fazer refletir sobre questões universais.
"mas, isso não significa muito quando há cor em sua pele" p.143
⭐⭐⭐⭐
Leia e veja o que você acha! 🥰




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