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O vivível e o invivível

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Ler O vivível e o invivível, é uma experiência que exige mais do que leitura, exige presença.


É um livro que pede pausa, retorno, quase uma espécie de ruminação intelectual. Em muitos momentos, a sensação foi de estar novamente nos tempos de graduação e mestrado de filosofia, quando cada parágrafo parecia abrir um abismo de reflexão.


A obra não se oferece de forma fácil. Sua linguagem é densa, conceitual, profundamente filosófica. Mas é justamente aí que reside sua potência: ao invés de simplificar, ela nos convoca a sustentar a complexidade.


Ao longo da leitura, uma pergunta ecoa com insistência: o que torna uma vida realmente possível de ser vivida? Não se trata apenas de existir biologicamente, mas de considerar as condições, materiais, sociais, afetivas, que sustentam ou inviabilizam a vida. Os autores, cada um a seu modo, vão costurando essa reflexão até convergirem em um ponto essencial: a vida humana é, inevitavelmente, marcada pela vulnerabilidade e pela dependência.


Uma vida “vivível” não é uma conquista individual isolada, mas algo que se constrói coletivamente, dentro de condições que permitem dignidade e continuidade.


Um dos trechos que mais ressoaram em mim é justamente aquele que afirma:

“cientes de que a vida nunca pode ser vivida ou bem vivida sem o entendimento das possibilidades de morte e destruição que nos antecedem, como uma luta que define o vivente. Não podemos deixar a morte e a destruição de lado quando pensamos sobre a vida, seja a minha, a sua ou a de quem quer que seja.”

Essa passagem sintetiza bem o espírito do livro. Pensar a vida, aqui, não é afastar a morte, é encará-la como parte constitutiva da existência.Viver é, também, lidar com a precariedade, com o risco, com a finitude.


No fim, O vivível e o invivível não é uma leitura que “fecha” respostas, mas, amplia as perguntas.


⭐⭐⭐⭐


indicação do amigo literário @livrosdoalcantara



Leia e veja o que você acha! 🥰




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