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O Livro do Destino 

O Livro do Destino – Parinoush Saniee

Minha opinião

Poucos livros conseguem ser tão dolorosos, necessários e comoventes ao mesmo tempo. O Livro do Destino me surpreendeu profundamente, não apenas pela força de sua protagonista, mas pela maneira como a autora entrelaça uma história íntima com cinco décadas turbulentas da história do Irã.


Massoumeh é uma adolescente comum na Teerã pré-revolucionária, apaixonada pelos estudos e cheia de sonhos. Um amor juvenil, descoberto por sua família, transforma sua vida em um pesadelo: ela é violentamente agredida pela família e obrigada a se casar às pressas com um homem que nunca viu. A partir daí, seu destino passa a ser moldado não apenas pelas tradições patriarcais, mas também pelas mudanças políticas e religiosas que assolam o país.


Seu marido, Hamid, é um dissidente marxista perseguido primeiro pelo regime do Xá e depois pelos fundamentalistas que ele próprio ajudou a levar ao poder. Com isso, o livro se expande: deixa de ser apenas a história de uma mulher e se transforma no retrato de uma nação marcada por repressão, fanatismo, violência e corrupção. Governos caem, ideologias mudam, mas a desigualdade, os abusos e a perseguição aos dissidentes permanecem.


A narrativa revela com crueldade a discriminação de gênero, a violência contra as mulheres, o peso das regras culturais patriarcais e o silenciamento imposto a quem ousa desejar algo diferente. É revoltante acompanhar o quanto Massoumeh é privada de escolhas, humilhada, ferida, e ainda assim resistente. Sua força está na sobrevivência, no amor pelos filhos e na capacidade de seguir mesmo quando tudo parece perdido.


O início é mais arrastado, mas, aos poucos, a leitura se torna fluida e impossível de largar. A escrita é simples, direta e carregada de sentimentos, fatos históricos e aprendizados. Como a própria narrativa sugere: “quanto maior o período de calmaria, pior era o choque do incidente seguinte” , e o livro confirma isso a cada virada de página.


Um romance sobre liberdade, escolhas e o peso do destino, e uma rara visão interna da sociedade iraniana, especialmente sob o olhar feminino.


O livro do destino, que também teve de desafiar os aiatolás para chegar às livrarias. Em 2003, quando o presidente era Mohammad Khatami, um clérigo reformista que conquistou o voto feminino, cada editora recebeu a permissão de publicar um título sem autorização prévia. A circulação foi proibida. Parinoush recorreu da decisão com a ajuda de Shirin Ebadi, advogada e ativista dos direitos humanos que recebeu o Nobel da Paz em 2003. Elas venceram. O livro do destino tornou-se o maior best-seller da história do Irã.

fonte : globo


⭐⭐⭐⭐



Leia… e veja o que você acha.


leitura com o clube do livro @curtaleitura



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