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Quando os Pássaros Voam Para o Sul

Quando os Pássaros Voam Para o Sul, de Lisa Ridzén


Quando os Pássaros Voam Para o Sul é uma leitura profundamente comovente e dolorosa. Um livro que entristece, aperta o peito e convida à reflexão sobre a finitude de forma honesta e desarmada. Acompanhamos os últimos dias de Bo, um idoso de mais de oitenta anos, convivendo com o próprio declínio físico e emocional, e, ao mesmo tempo, sua esposa acometida pela demência numa casa de repouso, cuidadores que entram e saem de sua rotina e um cão, presença silenciosa e fiel, que lhe oferece algum alento em meio aos dias difíceis.


A narrativa é sensível e, ao mesmo tempo, incômoda. Não porque exagera, mas porque expõe uma realidade diante da qual o leitor se sente tão impotente quanto o próprio protagonista. Bo sofre, no corpo, na mente e na memória, e nós sofremos com ele, presos a uma rotina que parece se repetir sem esperança de alívio.


O enredo se constrói a partir do cotidiano presente, entrelaçado às lembranças do passado. Memórias de uma vida inteira surgem carregadas de arrependimentos, desejos não realizados, palavras não ditas e sentimentos jamais expressos. A autora retrata a finitude não como um evento distante, mas como uma experiência vivida minuto a minuto, nos últimos meses, dias e horas.


O livro também nos lembra de algo essencial e, muitas vezes, esquecido: a vida é feita muito mais de momentos comuns do que de grandes acontecimentos. E são justamente esses instantes aparentemente banais, e as emoções que os atravessam, que moldam quem somos e nos conduzem até onde chegamos, seja lá onde for.


Quando os Pássaros Voam Para o Sul não é uma leitura fácil. É triste, melancólica e profundamente humana. Mas é também necessária. Um livro que não oferece consolo fácil, apenas verdade, e talvez por isso toque tão fundo.


⭐⭐⭐⭐⭐



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