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As Aviadoras, de Lorraine Heath

As Aviadoras é um romance de leitura fluida, mas de ritmo propositalmente mais lento, um ritmo que acompanha a angústia diária dos anos de guerra. A narrativa reflete o peso constante da Segunda Guerra Mundial: filhos, maridos e namorados partindo, alguns morrendo, outros retornando marcados física e emocionalmente. Nada acontece com pressa, porque o medo e a espera também não acontecem.


A protagonista, Jess, é uma piloto que precisa enfrentar um mundo profundamente machista para conquistar seu espaço como instrutora de voo de jovens cadetes britânicos. Sua luta não é apenas profissional, mas simbólica: voar, para ela, é também um ato de resistência. Ao longo da história, o leitor vai se apegando aos personagens aos poucos, enquanto cresce a revolta diante dos preconceitos e das limitações impostas às mulheres.


O romance é enriquecido por um conjunto de personagens femininas fortes e bem construídas.


O livro oferece uma perspectiva sensível sobre o papel feminino durante o período das guerras. Mostra como as mulheres precisaram se reinventar, ocupar espaços e afirmar sua importância em uma sociedade que as empurrou para a frente enquanto seus homens eram enviados aos campos de batalha. É uma narrativa que ilumina as marcas invisíveis da guerra, aquelas que não costumam aparecer nas manchetes ou nos livros de história.


No início, a leitura pode parecer mais arrastada, muito ancorada na doçura dos romances. Mas, após cerca de 30% da narrativa, o ritmo ganha fôlego e a história se aprofunda. O final é coerente com tudo o que foi construído, sem concessões fáceis.


As Aviadoras é uma história contada com leveza. Um romance humano, delicado e reflexivo, que fala menos de batalhas e mais das vidas que precisaram continuar enquanto o mundo desmoronava.


⭐⭐⭐⭐⭐


leitura com o clube @curtaleitura


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