Colapso, de Roberto Denser
- Cristina Oliveira
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- 13 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Colapso, de Roberto Denser
Minha opinião
Colapso é uma leitura brutal. Violenta. Incômoda. Um livro que não usa máscaras sociais e que revirou meu estômago, e minha alma, a cada capítulo. Denser expõe, sem qualquer piedade, o instinto mais primitivo dos seres chamados “humanos”.
Ambientado em uma terra pós-apocalíptica, onde tudo está morrendo, ou já morreu, o enredo constrói um cenário desolador que serve de espelho para algo ainda mais assustador: a natureza humana em estado cru. Amor, ódio, tristeza e loucura surgem despidos de qualquer verniz moral. Não há romantização, apenas a essência visceral do ser humano quando as estruturas sociais colapsam.
Durante a leitura, foi impossível não lembrar de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Assim como na obra do autor português, Colapso revela o quanto a civilização é uma camada frágil e o quão rapidamente podemos nos tornar os piores monstros.
E talvez o mais perturbador seja justamente isso: a sensação de que essa brutalidade não pertence apenas a um mundo em ruínas. Ela está por aí, em cada esquina, em uma sociedade que nem sequer entrou em colapso para que seus instintos mais sombrios aflorem. O livro provoca reflexão, e uma tristeza profunda.
Os capítulos curtos criam um ritmo ágil e hipnótico. É contraditório: a leitura é desconfortável, difícil de digerir, muitas vezes repulsiva… e ainda assim impossível de largar.
A curiosidade em saber o destino de cada personagem vence o horror, página após página.
A violência é explícita. As descrições são detalhadas e chocantes. Não é uma leitura fácil, mas é brilhantemente construída. Colapso é um terror que não apenas assusta, mas denuncia quanta maldade existe no ser dito "humano".
Atenção aos gatilhos - feminicídios, homicídios, carnificina, canibalismo, estupro, violência brutal com detalhes...
⭐⭐⭐⭐⭐
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