top of page

Noites Brancas

Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski, é um daqueles livros pequenos no tamanho, mas imensos no impacto emocional. Acompanhamos um jovem profundamente solitário, alguém que vive mais em seus pensamentos e fantasias do que na realidade concreta, vagando pelas noites de São Petersburgo. É nesse cenário silencioso e quase suspenso no tempo que ele conhece Nástienka, e, ao longo de algumas noites, nasce entre eles uma intimidade delicada, feita de confidências, expectativas e sonhos compartilhados.


O afeto que surge é bonito, mas também frágil. Tudo ali parece envolto por uma névoa de idealização, e, justamente por isso, o choque com a realidade dói. Noites Brancas fala sobre a solidão de quem ama demais, sobre projetar no outro a salvação para um vazio interior e sobre o momento cruel em que percebemos que sentir intensamente não garante reciprocidade nem permanência.


A escrita de Dostoiévski é melancólica e extremamente sensível. Há uma ternura quase dolorosa na forma como ele constrói esse encontro efêmero, deixando claro que nem todas as histórias de amor existem para durar. Algumas existem apenas para nos atravessar, para nos mostrar nossas carências, ilusões e a forma como nos relacionamos com o mundo e com o outro.


É um livro sobre desencontros, sobre amores que vivem mais no plano do desejo do que na vida real. Um retrato honesto da fragilidade humana, que deixa o leitor com o coração apertado, mas também com a sensação de ter testemunhado algo profundamente humano. Um clássico silencioso, triste e bonito, como certas noites que jamais esquecemos.


⭐⭐⭐⭐



Leia e veja o que você acha! 🥰



Maratona da virada @vivolendothrillers





Comentários


bottom of page