Um Corpo na Biblioteca
- Cristina Oliveira
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- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie

É aquele tipo de leitura que flui com naturalidade, povoada por personagens carismáticos e uma trama que se fecha com precisão cirúrgica, e, claro, com um desfecho surpreendente, como só a Rainha do Crime sabe fazer.
A história parte de uma situação quase teatral: o cadáver de uma jovem desconhecida surge na biblioteca da respeitável família Bantry. Esse choque entre ordem e caos, entre o lar tradicional e o crime brutal, já evidencia um dos grandes trunfos do livro: a ironia social.
Miss Marple, uma observadora silenciosa, entende as pessoas melhor do que qualquer investigador oficial, com sua genialidade discreta: sabe exatamente quem matou, mas jamais entrega o jogo antes da hora. Sua força está justamente em “não parecer perigosa”.
A autora constrói a narrativa transitando entre dois mundos contrastantes: a vila pacata, onde Miss Marple conhece cada tipo humano e suas máscaras; e o universo artificial do entretenimento: hotéis, dançarinas, brilho e aparências que escondem ambições e interesses sombrios.
Há também uma crítica social afiada: todos se apressam em reduzir a vítima à condição de “apenas uma dançarina”, descartando sua humanidade, enquanto a reputação dos Bantry é colocada em xeque sem qualquer prova. Christie mostra como a sociedade julga, condena e destrói reputações com a mesma rapidez com que corpos são encontrados.
Miss Marple demora um pouco a assumir o centro da investigação, mas quando o faz, brilha intensamente. Sua capacidade de perceber detalhes aparentemente banais prova, mais uma vez, que observar pessoas é tão importante quanto analisar pistas.
Um suspense inteligente, irônico e deliciosamente intrincado, daqueles que reafirmam por que Agatha Christie permanece atemporal e irresistível.
⭐⭐⭐⭐⭐
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